Alubia, faba e judión na Espanha: qual comprar para fazer arroz e feijão brasileiro
Guia prático dos feijões na Espanha: nomes em espanhol, onde encontrar, preços e qual tipo rende um arroz e feijão com gosto de Brasil.
Existe feijão na Europa? Sim, e na Espanha ele aparece de muitos jeitos e nomes. Morando por aqui, a primeira surpresa é topar com um feijão branco gigante nas prateleiras e pensar: dá para substituir o nosso carioca ou o preto? No vídeo acima eu mostro um desses grandões e conto a minha experiência, mas aqui vai o guia completo para você escolher certo no mercado e cozinhar com gosto de Brasil.
Como se chamam os tipos de feijão na Espanha e quais são parecidos com os do Brasil
O nome guarda-roupa do feijão na Espanha é alubia ou judía seca. Dentro desse guarda-roupa, há várias famílias. Estas são as mais úteis para quem quer reproduzir o arroz e feijão do dia a dia:
Para abrir o planejamento com mais contexto, veja tambem Kinder Bueno ou Hacendado do Mercadona: diferenças reais, preço e qual compensa.
- Alubia pinta - é o nosso feijão carioca na prática. Grãos rajadinhos, mesmo perfil de sabor e textura cremosa. Em algumas marcas aparece como judía pinta.
- Alubia negra - corresponde ao feijão preto brasileiro. Cozinha relativamente rápido e entrega caldo escuro e espesso.
- Alubia blanca - feijões brancos de tamanho médio, bons para ensopados e saladas. Lembram canellini. Dá para temperar ao estilo brasileiro, mas o sabor é mais suave.
- Faba asturiana ou fabes - grão branco grande e amanteigado, típico da fabada. Não é substituto direto do carioca ou do preto, mas rende cozidos encorpados.
- Judión de la Granja - ainda maior que a faba, muito cremoso. Excelente em pratos de colher, não tão bom para o feijão de todo dia.
- Alubia carilla - é o nosso feijão fradinho, com o olhinho preto. Perfeito para saladas, acarajé e baião, não para o caldo clássico do arroz e feijão.
Outros nomes que aparecem e confundem:
- Haba - é fava, não é feijão carioca. Vende-se fresca, seca ou congelada, e tem sabor diferente.
- Garbanzos - grão de bico. Outra leguminosa bem comum por aqui, mas não substitui nosso feijão.
Resumo para não errar: alubia pinta para imitar o carioca, alubia negra para o feijão preto. Faba e judión são experiências diferentes, ótimas, mas com outra proposta.
Onde comprar e quanto custa: seco, de vidro e importado
Você encontra feijão em praticamente todos os mercados. Estes são os caminhos mais fáceis:
No meio desse processo, tambem vale cruzar este tema com Quanto custam os produtos Disney na Primark Espanha agora: guia por categoria.
- Grandes redes - Mercadona, Carrefour, Alcampo e Lidl costumam ter alubia pinta, negra e branca secas e também cozidas em vidro ou tetra pack. As versões secas costumam vir em pacotes de 500 g ou 1 kg.
- Alubias cocidas - feijão já cozido em vidro. Quebra um galho quando não dá tempo de hidratar e cozinhar. Enxágue antes do refogado para ajustar o sal e o amido.
- Lojas latinas - quando bate a saudade de marcas brasileiras, essas lojas vendem feijão carioca e preto do Brasil, além de paio, farofa e outras guarnições. O preço costuma ser mais alto.
- Feiras e produtos DOP - faba asturiana e judión de la Granja com selo de origem são mais caros, mas têm textura premium. Valem para ocasiões especiais.
Faixa de preço que você pode esperar - varia por cidade e marca, mas como referência:
- Seco comum (pinta, negra, branca): geralmente entre 1 e 3 euros por 500 g.
- Faba asturiana e judión: podem ir de 4 a 9 euros por 500 g, dependendo da origem e qualidade.
- Feijão cozido em vidro: em torno de 0,70 a 1,50 euro por frasco.
- Importados do Brasil: preço sensivelmente maior. Compre quando o paladar pedir muito.
O feijão gigante da Espanha serve para o nosso arroz e feijão?
Serve para matar a vontade de um cozido bem cremoso, mas não é igual ao nosso feijão do dia a dia. A faba asturiana e o judión são grandes e amanteigados, absorvem muito o sabor do caldo e ficam lindos no prato, só que entregam uma mordida diferente e um caldo menos escuro. Se a ideia é reproduzir o prato clássico com arroz soltinho, louro e aquele caldinho espesso, a alubia pinta e a alubia negra são as escolhas mais certeiras.
Quer experimentar os gigantes mesmo assim? Tempere em camadas, com refogado caprichado de cebola e alho, pimenta do reino, cominho e louro. Evite chorizo se você busca o sabor brasileiro, porque o defumado do pimentón muda completamente o perfil do prato. Prefira bacon simples ou linguiça tipo calabresa de loja latina, quando achar.
Antes de fechar sua decisao, aprofunde com Kinder Bueno na Espanha: vale trocar pelo dupe do Mercadona Hacendado.
Como cozinhar para lembrar o sabor do Brasil: panela, tempo e temperos
Com os tipos em mãos, o segredo é respeitar hidratação, tempo e tempero. Pulo do gato: feijão fresco cozinha melhor. Se o grão estiver muito velho, demora e pode não amaciar por igual.
- Deixe de molho - 8 a 12 horas em água fria, cobrindo com folga. Troque a água se o ambiente estiver muito quente. O molho reduz tempo de cozimento e melhora a digestão. Se a água da sua cidade for muito dura, uma pitada mínima de bicarbonato pode ajudar, mas use com cautela para não desmanchar o grão.
- Sal e acidez - dá para salgar desde o molho sem problema. Acidez forte no começo, como muito tomate, pode endurecer. Ajuste o sal no fim.
- Panela de pressão - amiga do imigrante. Tempos médios após o molho: alubia pinta 25 a 35 min, alubia negra 20 a 30 min, alubia blanca 25 a 40 min, faba e judión 45 a 70 min. Na panela comum, conte o dobro e ajuste conforme o seu fogão.
- Refogado em duas etapas - faça um refogado inicial leve na própria panela com óleo ou banha, alho e cebola, e outro no fim, mais forte, para engrossar o caldo. Amassa alguns grãos na concha e volte para a panela para encorpar.
- Temperos que aproximam do Brasil - louro, alho e cebola sempre. Cominho moído de leve faz diferença. Para um toque defumado sem chorizo, use pimentón de la Vera suave em mínima quantidade ou bacon bem dourado.
- Congelamento - porcione em potes e congele por até 3 meses. Descongele na geladeira e reaqueça com um tiquinho de água.
Usando alubia pinta, o resultado fica praticamente idêntico ao nosso carioca. Com alubia negra, o feijão preto ganha aquele caldo fechado e brilho que a gente conhece, principalmente se você não economizar no refogado final.
Dúvidas rápidas: substituições e nomes que confundem
- Quero feijão para feijoada - procure alubia negra. Para as carnes, lojas latinas costumam ter paio e calabresa. Se não achar, bacon e costelinha suína substituem bem. Evite chorizo espanhol se quiser preservar o sabor brasileiro.
- Quero arroz e feijão de todo dia - alubia pinta ganha. Quando não encontrar, alubia blanca funciona como plano B, só capriche no cominho e no refogado final para mais personalidade.
- Vi um saco escrito habas - é fava. Ótima em saladas e ensopados, mas não tem a mesma textura nem o caldo do nosso feijão.
- Feijão fradinho para acarajé - busque alubia carilla. É o mesmo grão com olhinho preto. Encontra em mercados médios e grandes.
- Vidro de alubias cocidas quebra o galho? - quebra sim. Enxágue, refogue alho e cebola, adicione os grãos e um pouco de água, tempere e amasse alguns para engrossar. Não tem o mesmo sabor do feito do zero, mas salva na correria.
- O grão não amolece - pode estar velho. Da próxima, compre em lugar com alto giro e guarde bem fechado. Na emergência, cozinhe mais tempo com um pouco mais de água quente.
No fim, dá para viver o melhor dos dois mundos: usar alubia pinta e alubia negra para matar a saudade do Brasil e, quando quiser variar, brincar com a cremosidade da faba ou do judión em cozidos bem ricos. Depois que você se acostuma aos nomes, a ida ao mercado fica simples e a despensa volta a ter cara de casa.
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